Homens são reativos
Não tem nenhum estudo científico para isso e – assim como noventa por cento dos textos polêmicos e supostamente machistas e estereotipados deste blog – a base que tenho para falar é única e exclusivamente minha percepção, o mundo que me cerca, que vejo, escuto e leio: a briga do homem com a mulher é sempre reativa. Explicando melhor: o homem “briga” com a companheira basicamente quando ela vem cobrar ou reclamar de alguma coisa e ele não concorda com a dimensão da queixa. E vive a tomar esporro. Dificilmente “começa” uma briga.
Em muitos desses casos, o esporro é por não ter entendido o que a mulher disse. Ou, mais precisamente, por não saber “adivinhar” o que está irritando-a. Mulher tem uma dificuldade patológica de deixar claro o que a emputece. A ponto de esperar a situação chegar num limite do insuportável e insustentável para criar coragem e liberar os caninos no homo erectus.
São vários os exemplos desses esporros que ouço por aí. É o homem chegando tarde e bêbado em casa (mesmo tendo dito que não tinha hora pra voltar e que avisado onde e com quem estava). É o cara que trata a irmã, as amigas e conhecidas muito bem, mas não fica 100% do tempo dizendo “eu te amo” para a mulher. É o homem que não “se toca” que a mulher quer vazar de um lugar mesmo que ela não tenha falado nada. É o cara que demorou para ligar, atender ou retornar a ligação. É o homem que, mesmo a mulher tendo dito claramente que queria ir naquele lugar e encontrar aquelas pessoas (e estava expressamente “de boa” quanto a isso), leva um sabão porque a não se tocou que o “sim, vamos” da mulher é, na verdade um “não quero ir, não acho que vai ser legal”. Cadê a porra da bola de cristal? Foda.
Blá. Blá. Blá. Preguiça. O fato é que, em todos os “fights” de que ouço falar, o mané do homem normalmente tá levando patada e esporro e demora até pra entender por quê. E pior: quando ele tenta fazer a comparação óbvia do tipo “se colocar no lugar da mulher e colocá-la no lugar dele”, aí só piora. O que é simples, direto e claro para nós é bem complicado, indireto e obscuro para a mulher.
Normalmente, por exemplo, se a mulher diz que vai pra balada com a amigas e chega tarde bêbada, o cara não tá nem aí. É capaz de achar engraçado. Pelo contrário, a maioria dos que conheço incentiva a saideira do mulherio. Até para poder fazer isso com a mesma leveza quando for o caso.
Uma ligação do homem feita com meia hora de atraso, um celular não atendido ou uma resposta do tipo “não posso falar agora” são motivos mais do que suficientes para gerarem uma D.R. incomensurável, dependendo do (mau) humor feminino. O que vejo no mundo masculino, porém, é o contrário: se ele liga e a mulher não atende, tudo bem. “Deve estar ocupada, ela liga depois”. Tranqüilo. E deixa quieto. O afrouxamento de corda, visto com naturalidade por ele, não se aplica no sentido inverso. Deveria, mas normalmente não rola.
Claro que, como disse lá em cima, isso é generalização. Mas quando paro para pensar, eu mesmo, acho que dificilmente, com qualquer uma das dondocas que já teve o prazer de estar comigo por algum tempo (ou nem isso), criei um salseiro. Quando lembro das brigas, sempre é num ar de “caralho, por que foi isso mesmo?” ou “desnecessário”.
Costumo dizer que tenho até vocação pra ser corno. Porque, se confio, acredito na resposta que a mulher me dá pro que está fazendo, onde vai, com quem etc. Jamais vou perder meu sono encucado com neuras do tipo “nossa, ela vai me chifrar”. Nunquinha. Vou dormir tranqüilo. Mas sabe do pior? Até por isso se toma esporro hoje em dia. Porque a “tranqüilidade” cedo ou tarde vai ser taxada de comodismo, descaso ou falta de apego. É mole?

















É nada cara, num tem pecado algum acreditar de olhos fechados! porém! sempre com um pé atrás né!